Estou tentando escrever, foi
pra isso que eu me sentei à mesa com esta xícara de café, que agora está vazia,
a ideia era que o papel já estivesse cheio quando a xícara esvaziasse mais a
única coisa cheia neste quarto é a minha cabeça, onde os pensamentos se
embaralham sem qualquer sinal de calmaria. Tantos pensamentos me contradizem,
não tenho um ponto de partida e nem ao menos sei onde quero chegar. Sinto a
falta de um porto seguro, mais sempre que as coisas ameaçam acalmar, eu pulo,
no meio da correnteza, no mar agitado, sem medo de ser sugada e sufocada, fugindo
da calmaria que acomoda os sentimentos mais infantis, que não topam se
arriscar, ou que talvez sejam imaturos demais para tal habilidade. Não sinto a
necessidade em contemplar o fim da tempestade marítima, eu não quero recolher
mais os destroços, apenas levanto a cabeça e sigo em frente pois a tempestade só leva quem se deixa levar
e o único medo que tenho mesmo é o de parar, pavor de não sentir nada.
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05 março 2013
Contradição ...
Estou tentando escrever, foi
pra isso que eu me sentei à mesa com esta xícara de café, que agora está vazia,
a ideia era que o papel já estivesse cheio quando a xícara esvaziasse mais a
única coisa cheia neste quarto é a minha cabeça, onde os pensamentos se
embaralham sem qualquer sinal de calmaria. Tantos pensamentos me contradizem,
não tenho um ponto de partida e nem ao menos sei onde quero chegar. Sinto a
falta de um porto seguro, mais sempre que as coisas ameaçam acalmar, eu pulo,
no meio da correnteza, no mar agitado, sem medo de ser sugada e sufocada, fugindo
da calmaria que acomoda os sentimentos mais infantis, que não topam se
arriscar, ou que talvez sejam imaturos demais para tal habilidade. Não sinto a
necessidade em contemplar o fim da tempestade marítima, eu não quero recolher
mais os destroços, apenas levanto a cabeça e sigo em frente pois a tempestade só leva quem se deixa levar
e o único medo que tenho mesmo é o de parar, pavor de não sentir nada.
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01 março 2013
O voo dos pensamentos
Caminhando, eu comigo mesma - viajando dentro do que posso
chamar de meu âmago - encontrei imagens que não podia se quer antes ser notada,
já que só consigo as ver em movimento. Acelerei os passos. Viajei. Parei. Senti
então a doce amargura das lágrimas que escorriam de meus olhos, caminhavam pela
minha face e encontravam o chão já molhado. Chovia. A chuva intensa me tirava
da concentração, e a cada momento pressentia um total mundo de ilusão. Caí ao
chão. Desmoronando meu corpo, senti a frieza e a dureza do asfalto e da chuva caindo
em minha pele, arrepiando minhas emoções e pulsando meu sangue. O medo tomou
conta de mim, pavor da solidão. Permiti-me fechar os olhos, alcancei o céu,
talvez o inferno. Ouvi os gemidos e o ranger dos ventos, como a madeira
no inverno congelando. O asfalto
engolia minhas mãos na sujeira e na lama do anonimato. Grandes sonhos, grandes
pesadelos. Cruéis fatos. No véu da escuridão, lancei meu corpo contra o vento -
deitada, inerte aos meus princípios e aos pensamentos que me rondavam a vista -
mesmo cansada permiti meu pensamento voar.
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